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Poesia de
Marcia Dalva Machinski
Diário de uma paixão
é o dia inteiro pensar numa única pessoa... Qualquer coisa,
lembrar-te
ele...
é, de repente, suspirar... à simples lembrança do seu olhar, da sua
voz,
do seu nome...
Sonhar acordada... Flagrar-se fazendo planos...
é como um estado de suspensão da alma...
Continuamente fora do chão...
Alheia à realidade... Flutuar em pensamentos...
Tudo parecer colorido... Em tons de primavera...
Respirar o ar da manhã... Perceber o brilho das estrelas...
Olhar para a Lua... Flutuar novamente em pensamentos...
é involuntariamente deixar a razão de lado...
Nos sonhos, não ter espaço para as burocracias da vida... E, pra
tudo, ter
uma solução...
Não ver problema algum...
é mais uma vez, flagrar-se fazendo planos...
é perfumar-se pela manhã...
Usar um batom discreto... Pintar os olhos... Calçar anéis...
Procurar no armário a melhor roupa... De preferência um vestido...
Calçar salto alto... Ou abandoná-los aos cantos... Só para ficar à
mesma
altura...
é querer mudar o cabelo pra ficar mais bonita...
Não querer mudar para não correr o risco de desagradar... é
flagrar-se,
mais uma vez, pensando nele...
é distrair-se, voar longe...
Avermelhar-se ao alguém perguntar... «Onde éque tu tás menina? Tás
nas nuvens?»
Perceber que os outros estão te olhando de canto... e dando aquele
sorrisinho... quando te vê conversar ou falar dele...
é flagrar-se, mais uma vez, pensando nele... Onde estará?...
é sentir frio na barriga quando, simplesmente, ouve pronunciarem o
nome dele... Automaticamente arregalar os olhos e pôr os ouvidos em
alerta, para tentar saber do que se trata...
é navegar loucamente na internet, buscando saber mais sobre quem ele
é...quem sabe o encontrar procurando por ti...
Imaginar loucas formas de cooperar com o «acaso»...
Querer escrever um e-mail e se declarar... Mas, recuar e querer
esperar o
amor nele brotar...
é flagrar-se, mais uma vez, pensando nele... Fazendo planos de
futuro...
é querer ficar perto... Não se separar... Mesmo tendo outras coisas
importantes para fazer...
Perder-se no tempo a conversar...
Querer de novo se encontrar...
Esperá-lo... e os minutos se transformarem em horas... quando demora
a
vir...
Fazer uma festa por dentro e esquecer-se do tempo de espera, quando
o vê
chegar...
é mesmo, não querer partir... Querer ficar ali... Nem que seja, na
sala ao
lado...
é, outra vez, flagrar-se pensando nele...
Passar em frente a uma vitrine... Imaginá-lo dentro daquela roupa...
Querer presentear... Mas, ainda, nem é Natal...
é tecer um filme água com açúcar na memória... Protagonizá-lo...
Compor um poema... Cantar... Canções de amor...
é se emocionar ao ver um casal de mãos dadas...
Querer pegar as crianças no colo...
Brincar horas com os sobrinhos...
Se sentir pueril, adolescente, mais jovem...
Enxergar o pôr do sol... Suspirar...
E esperar ansiosamente pela próxima manhã!
Olhar para o telefone...
Esperar tocar...
Pular o coração, ao seu tilintar...
Mas, ele nem tem o número... Quem sabe, como eu, procurou, descobriu
para ligar?...
é voltar para a internet... Abrir sua caixa de e-mail, seu orkut...
Checar
Pegar o celular... Será que chegou um torpedo?...
Esperar por um simples, «Olá!»
Mais uma vez, flagrar-se pensando nele...
é ouvir seu nome pronunciado como uma canção, pelos lábios dele...
é o coração gelar, perder o raciocínio, as palavras todas
desaparecerem,
engolir em seco... Ao ser surpreendida, pelo acaso, num encontro
casual...
é despedir-se sem saber o que dizer... Voltar as costas, mas querer
para
seus braços correr... ter medo de atravessar a rua... porque todos
desapareceram do seu lado... e sua cabeça, onde está?
é punir-se interiormente... Quantos discursos eu poderia ter dito?
Fiquei
louca? Por que não abri a boca?... Por que o deixei ir?...
é viver um misto de euforia e depressão...
é chegar dando pulos de alegria em frente ao espelho... é
entristecer-se...
Porque só o verá novamente daqui alguns dias... é fazer qualquer
coisa,
para não mais, nisto, pensar... Mas,
é flagrar-se, novamente, pensando nele... até quando?
é esperar, suspirar, sonhar e não querer acordar...
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